segunda-feira, 28 de setembro de 2026

o buraco ao lado da torre

O buraco do lado da torre

izabel antunes de sousa lopes, setembro de 2026

 

Ninguém via nada ao longo do horizonte, mas, sentia se um odor suave carregado pelo vento, vindo dos arredores da enorme torre.

Os transeuntes atribuíam os mais variados significados para origem daquele  odor.

É um giroflex. Sim so pode ser um giroflex.

Penso ser um giroflax, dizia o outro.  

Nada disso, é um hipoflex

Dona cassiez, ficava atônita, queria descobrir o que era aqueles flex, virando o nariz de um lado para o outro com os olhos estupefatos a mexa branco do cabelo arrepiado, mais arrepiado ainda.

Que esses guruflexs são, meu Deus, seriam alienígenas, perguntavam as senhoras e os senhorios

A torre em tom de rosa, estava, além das cores, agora ela era perfumada

Um homenzinho acompanhado de uma obesa senhora, disse, temos que descobrir de onde vem esse odor

E procuraram e procuraram, foram de casa em casa, luparam e lunetaram janelas e sacadas e nada. Nada de novo. Ate que, uma menininha de pintas pardas na bochecha gordinha e de nariz bem fino e longo, gritou

Olha olha esta vindo daqui. Foi um aue... correria total. A menina orgulhosa apontava para o chão, e la estava um minúsculo buraquinho soltando um vaporzinho bem cheiroso. Era como se uma agulha estivesse quebrado e ficado enterrada no chão, bem firme canalizando o vapor.

Começaram a surgir as teorias, vulcão de perfume, bruxaria se misturava aos personagens flexs e flaxs anteriores, abrindo mais leques para investigações.

Pelo menos sabemos onde é que ele sai, vamos pra casa.

Um dos transeuntes, ficou parado, enquanto todos se recolhiam

Virou uma rua e entrou numa porta cheia de luzes piscantes. Era um lugar movimentado e ele se aproxima de um casal. O homem cabelo preto, cortado reto, como a machadadas e ao meio dorso. A mulher roliça, rosa, peito exaltado e apertado no espartilho de um roxo escuro, amarrado com fitas douradas. O rosto dela todo cheio de carmim e seda. Uma cintura feita a mão pela pressão do espartilho, fazia a uma ampulheta.

Os três se entreolharam, conversaram e foram até o fundo da casa. O espaço foi se afunilando e uma escada dourada e repleta de perfumes ocupou o final do corredor. Uma espécie de rabo de dinossauro esculpido em boticas douradas,  tomou conta do ambiente. Os três subiam lentamente cada lance da escada. Eu, ofegante os acompanhava. E vi, quando a mulher abre uma gaveta e pega uma especie de alicate, suspende e puxa a grande agulha. Em seguida, pede uma pa, para limpar os vidros que caíram ao chão, devido ao choque com a ampola que o abastecia e que quebrou a agulha.

Vira ao seu amigo e diz, obrigado por descobrir onde havia perdido nossa agulha.

Agora é so fechar. Pega um pouco de cimento e tapa o buraco.

 

No dia seguinte a multidão, que visita sempre a torre, procura o buraco.

Gritam entre si, onde esta o buraco ao lado da torre, onde esta giroflex, flax e guruflex...

Mas, para surpresa da menininha do nariz fino dos demais, o perfume tinha sumido e o fato caiu onde caem os boatos, mesmo com uma pontinha de fato. No poderoso buraco do esquecimento. 

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